Como se diz no popular, só se enxergava " um palmo adiante do nariz"
Descendo a Serra da Mantiqueira, saindo de Campos do Jordão e indo para São paulo. sexta feira, 09 de Outubro de 2009, às 13:40
Olá Pessoal!
Estaremos saindo de Campos do Jordão por volta das 13:00 de hoje, sexta feira, dia 09-10-09
Acreditamos estar chegando no Salão Duas Rodas lá pelas 16:00, até as 16:30
Quanto a postagem das fotos, vídeos e outras informações, faremos ao longo da próxima semana.
Nosso Contato:
momo
71 91616041
momo@bahiaburgman.com.br
Saindo de Campos do Jordão
Deixando a cidade de Campos do Jordão
No Restaurante e cervejaria "Baden Baden", parte do grupo se preparando para um jantar bem agradável
Joaca e Gustavão
Meron, Airton e Ricardo
Nosso hotel em Campos do Jordão Será que está frio mesmo?
Entrando na cidade
oc o
Ricardo, Gaucho, momo, Pedro, Gustavão, Marcos, Jura, Zé Rico, Airton, Landin, Silvinho, Luciano, Meron, Turcão,Silvio Santos, Tio Pila e Jordan
Depois de muita chuva e frio, um bom copo de chocolate quente... Estávamos com 12º às 15:00
Chegando a Campos do Jordão
Depois de muita chuva e frio de 12º, chegamos na entrada da cidade de Campos do Jordão.
Aqui paramos para escorrer um pouco da água que encharcava a roupa e agasalho de todos. Aproveitamos e, além de abastecermos as motos, abastecermos o corpo com um chocolate bem quente que, se não tão gostoso, atendeu o que mais precisávamos, um bom aquecimento.
Teve gente que na chegada a Campos do Jordão, resolveu interromper a viagem, se lançando na pista, rolando nela e se banhando nas águas geladas (10º) que nela escorria aos borbolhões encastelados de espuma, e lama vinda das encostas.
O cenário dessa região é lindo. Tão lindo quanto perigoso quando sob forte chuva. Perigoso para se trafegar com veículos de 4 rodas e muito mais ainda em veículos como os nossos, de 2 rodas, pequenos e limitados.
Curvas e mais curvas que de tão fechadas, para mim que estava no carro de apóio, necessitava voltar a minha visão pelo ângulo da janela do motorista, visto que não era possível enxergar o final de muitas delas. Podia-se até ter-se a impressão de que poderíamos estar retornando. Subíamos por todo o tempo, galgando a serra da mantiqueira, até alcançarmos a altura de 1.600 metros em relação ao nível do mar.
Chuva, frio, curvas, perigo, árvores e galhos caídos em vários trechos da estrada, muita névoa, óleo na pista ( o que muito nos preocupava), mas nada diminuía o entusiasmo do grupo, a alegria e a garra de continuar subindo e vencendo aqueles últimos Km que nos restavam.
Campos do Jordão estava logo ali mas mesmo ali, parecia que não chegava nunca. Continuamos a desfrutar a beleza tão diferente e particular daquela região, tão diferente e especial se comparada com as nossas não menos belas do nordeste, da nossa Bahia.
Concluímos comprovando o quanto é belo, rico e cheio de diversidades o nosso Brasil. Saímos de Salvador, onde nessa época, a temperatura regula em torno dos 27º, 30º, típico clima tropical e rapidamente, nos deparamos com um clima de inverno, em pleno mês de Outubro.
É tudo diferente. Não apenas o clima mas as pessoas, as habitações, os costumes, o modo de se vestir... A arquitetura tem marcante, os traços das regiões montanhosas da Europa. O ambiente dos restaurantes, dos bares, dos hotéis, teem um aconchego próprio que nos leva ao ficar junto, a tomar um belo vinho (de carta oferecida bem variada e de boa procedência), de curtir a luz de penumbra, de procurar os cantos, de saborear a culinária fina e especial, saída das mãos de chefes celebrados. Saborear uma truta ao molho de castanhas, um "fondue" de queijo, servir a sua companhia trocando olhares de cumplicidade... Campos do Jordão é tudo isso. E acima de tudo é Brasil, é nosso e podemos vivê-la e apreciá-la.
Mas voltando ao banho gelado de água e lama, fico a me perguntar: Qual teria sido a comprovada razão dos dois, Silvio Santos e em seguida do Silvinho Refripar, terem acordado em bloco, para tomar aquele banho. Soube-se depois, como expeculação, que é coisa muito natural entre os "silvios". Eles sempre nos surpreendem.
Assim, nada mais justo que recorrer-se a um chocolate bem quente, associado agora, que já chegamos, a uma boa pinga mineira, trazida de Caxambu.
Abastecimento de gasolina para as motos e chocolate quente para os burgmanianos
Assim como no ditado popular, pagarei quando puder...
Estamos sim, em falta como todos vocês que nos tem visitado, ansiosos na busca das informações e relatos da nossa aventura, tão previamente anunciada.
Ouvi hoje do companheiro Joaca, uma expressão muita usada no meio jurídico, qual seja:
“Presunção Juris Tantum”
Pois é, presumimos fazer acontecer de uma forma e não nos foi possível.
Lamentavelmente, tivemos extraviada a nossa câmara e filmadora, em umas das paradas para abastecimento que fizemos no primeiro dia de viagem (03-10-09) sábado último.
Além de perdermos o conteúdo já produzido, ficamos impossibilitados de gerar novas fotos, novos filmes, entrevistas e as emoções de cada momento.
Fora isso, não conseguimos acesso a Internet até agora quando chegamos a Belo Horizonte, as 17:00
Iremos conseguir de outras câmeras, fotos e vídeos; recorremos ao Silvinho, ao Alexandre. Faremos tudo para compensar o transtorno.
Acompanhem-nos, nos próximos dias teremos atualizado o nosso Blog.
Por enquanto, usem o Link abaixo e vejam alguns dos filmes postados ao vivo, em vários momentos da viagem.
É sabido por muitos que Minas Gerais é o estado brasileiro que conta com a maior malha rodoviária do país. Para a minha satisfação, muito bem conservada tanto nas BR como também nas MG. Tivemos a sorte de identificar uma rota, que ainda nem consta do Google Map ou do Map Link.
Nesse trecho, muito frequentemente vimos placas indicando “Estrada Real”.
Curiosamente se divulga a Estrada Real apenas partindo de Paraty-RJ (caminho velho) e posteriormente Rio de Janeiro RJ (caminho novo) até Diamantina – MG. Por ela, transportou-se praticamente todo o ouro extraído das nossas minas, ao longo do século XVII. Esquece-se, porém, que a Estrada Real se estendeu por muito mais.
Sabe-se que efetivamente, ela foi levada até a Chapada Diamantina na Bahia, saindo de Ouro Preto, Curvelo, Sabará, Montes Claros - MG, Caetité e Rio de Contas na Bahia.
Em Rio de Contas, as evidências da Estrada Real são facilmente observadas ainda hoje.
Além dos diamantes, também o ouro da Chapada Diamantina se esvaíram por essa via, indo enriquecer os senhores da antiga Europa.
A História do Brasil é bastante viva por todas as regiões cortadas pela Estrada Real. Contabiliza-se em torno de 150 localidades ao longo de 1400 km. A estrada construída pelos escravos tem sua pavimentação preservada em muitos trechos até hoje. Usaram-se pedras brutas regulares (calcetamento) que nem mesmo os 300 anos e o abandono corroeram.
As edificações de estilo colonial, presentes nas vilas e nas fazendas ainda estão de pé, conservada também está a gastronomia, o artesanato e as lembranças passadas de boca a boca por cada morador, fiel guardião da nossa História.
Remoendo essas lembranças, chegamos a São João Del Rei – MG. Logo na entrada da cidade, “liga o som”, Lembram-se?
E o som foi ligado e o nosso Hino estrondando no “Trio Elétrico”. Desta vez, todos estavam nos esperando na entrada da cidade e foram posicionados atrás de nós.
A cidade basicamente se desenvolveu nas margens da antiga ferrovia Estrada de Ferro Oeste Minas, parceira da Estrada Real e que desde lá pelo século XIX escoou o ouro, o diamante, o gado, o café e os escravos nas terras das minas gerais. Até o trem “Maria Fumaça” vem sendo preservado. Existem hoje apenas 12 km ligando São João Del Rei a Tiradentes e os trilhos se constituem a última estrada de ferro de bitola estreita no mundo, transportando passageiros. A nostalgia que emana do lugar, se reflete das construções antigas, da arquitetura Inglesa típica das antigas estações de trem. É gostoso ouvir “than, than, than”, sentir as baforadas liberadas pela caldeira aquecida a lenha e principalmente o apito “ Piuiuuuuuuuuu!, Piiiiiii! Than, Thamnm."
Puramente saudades daquilo que embora não tenha vivido, me transportou ao passado, e pude curtir a emoção do que foi uma página da nossa história, rica de bravura, pompa e luxo, associando poder e miséria, alimentado pela vida de milhares negros escravos.
Ao seguirmos as ruas de comércio movimentado, no sentido da via férrea, chamou-nos a atenção a quantidade de motociclistas locais. Não havíamos visto tantas até então. Diante disso talvez, a nossa chegada e som chamavam mais ainda a atenção e curiosidade de todos. Olhares curiosos, uns dançando, outros trazendo quem estava dentro das casas, das lojas. Todos queriam nos ver. Pensei até que era dia de 07 de Setembro, quando normalmente se fazem desfiles e cortejos. Muitos aplaudiam e recebiam de nós todos, os acenos de agradecimento.
Lá adiante, levado pelo meu bom senso de orientação, relembrei o itinerário até o hotel. Felizmente todo o grupo gostou da pousada e da atenção que os seus proprietários e atendentes nos dispensaram.
Ainda com muitos engulhos e algumas paradas, continuamos pela MG 383, desde que saímos da BR 040. Asfalto bom, porém, muitas subidas e descidas, curvas inclusive muito fechadas. A topografia da região muito bonita, ondulada e capim para todos os lados, o que denuncia ser típica produtora de leite, por identificarmos serem as propriedades, de pequena extensão. Apesar dessa análise, nos frustramos pela pequena quantidade de gado nas pastagens.
Ao alcançarmos um desses topos, vimos ao final da subida de um outro, dois caminhões parados na pista. Imaginamos ser acidente ou mesmo um deles quebrado. Rapidamente chegamos a eles e observamos que efetivamente um deles estava quebrado e, como não havia acostamento, a pista estava toda tomada por ele, o que justificava a presença de uma patrulha da Polícia Rodoviária Mineira no local. Fomos sinalizados a passar e ao fazê-lo, quem estava lá em pé, conversando com os policiais e fumando o seu cigarrinho de palha? Claro, o Turco.
Mandados seguir fomos em frente. O grupo a essa altura, como sempre acontecia, já não víamos há muito tempo. Em razão dessa parada e de tantas aquelas dos “engulhos”, todo o grupo se distanciou bastante. Não nos preocupamos com o Turco visto que com a DL 1000 V-Stron ele rapidamente nos alcançava.
Mais adiante, uns 10 km talvez, nos deparamos com uma carreta também parada no meio da pista e justo no trecho de faixa contínua o que nos impedia de contornar. Por prudência e cautela, aguardamos um pouco e logo em seguida ela arrancou e o que vemos? Uma nova Patrulha da Policia Estadual e ali parado, estava o Landim.
Nesse local, o acostamento nos permitiu estacionar e indagado, o Landim nos disse que um pouco antes, se deparou com uma carreta no meio da pista e, sem respeitar a faixa contínua, contornou e ao chegar à frente da carreta se deu conta da presença da Patrulha, o que não lhe foi possível ver antes, sendo ele retido imediatamente pelos policiais.
Em condições normais, a imprudência resultaria na extração de uma multa, uma boa lição de moral por parte do policial e seguinte liberação.
Porém, ao ser solicitado apresentar os documentos da moto e de habilitação, o companheiro Landim juntou ao solicitado, uma carteira de identificação de uma das Forças armadas do Brasil, na condição de esposo de uma oficiala.
De verdade, não havia a necessidade do uso desse recurso. Os policiais ao receberem o documento, ficaram supressos com o ato e, principalmente, por não conhecerem a condição de esposo com prerrogativas advindas da condição de que o militar da “força” era a senhora do portador do documento de identificação. Por entenderem possível de fraude, resolveram reter a moto e o seu condutor até que pudessem averiguar.
Felizmente, a viatura dispunha de computador com acesso a Internet, o que facilitou contatarem com uma unidade da Força Militar na cidade e, depois de uns 0:30 minutos, retornaram se desculpando e explicando o cuidado que tiveram na aplicação dos procedimentos.
Nesse momento, chega ao local, o velho Turco. E aí, ficamos sabendo o que houvera lá atrás com ele.
Imaginem. O Turco viajou sem os documentos da moto. Guardou-os na sua maleta que estava na carreta. Quase e por muito pouco, não teve a sua moto apreendida e recolhida ao batalhão da Polícia Militar mineira. Não faço idéia de quais foram os argumentos apresentados pelo Turco aos policiais. O fato é que ele se safou.
A partir daí, e por muito tempo, até que uma nova estória surgisse, não se falava em outra coisa se não, a “Carteirada do Landim”.
Felizmente, a impressão não muito boa do hotel quando em Setembro, o visitamos, não se confirmou.
O apartamento era amplo e sem o cheiro de “mofo” que havíamos constatado na primeira visita. Para alguns, o barulho da rua incomodou um pouco. Para outros, diante de como chegaram para dormir, barulho algum os incomodaria.
Para chegar ao hotel, saindo da Suzuminas, teríamos que seguir a orientação do Turco. Outros, apressadinhos, ainda no final da tarde, já haviam se dirigido para o hotel, seguindo um taxi como orientador.
Para nós do carro de apóio e outros tantos, como disse, que aguardávamos o Turco, não havia preocupação. O Turco, morador da cidade nos levaria facilmente. De repente, após muitas quadras distantes da Suzuminas, o Turco nos informa que teria que retornar pois havia deixado o Celular na Suzuminas. E aí? Como me sairia dessa? O GPS? Há sim, o GPS! Acontece que ele não estava programado para nos levar ao hotel. Eu teria que buscar nas nossas anotações o endereço do hotel.
Fácil? Sem dúvida... E para quem estava pilotando uma Pick-Up, tendo atrelada a esta, uma carreta que não me permitia ver nada além do anglo do retrovisor, sendo guia de umas 12 motos, no meio de um trânsito desconhecido e intenso das 19:30 h?
Seria fácil? Como dar solução ao problema se a cada quadra o sinal (farol) fechava e quando se abria, algumas motos ficavam presas no sinal fechado?
Como dizem os sábios matemáticos e filósofos, “Se há um problema, há uma solução”. Acreditando nisso, eu e o Luciano, meu navegador, juntamos as poucas referências conhecidas, deixamos de lado a nossa “idiotia geográfica” e acreditando que conseguiríamos, nos lançamos em frente. Fomos no faro, sem o Turco, sem o GPS, até a porta do hotel, na Rua Rio Grande do Norte, na Savassi.
A noite não sai. Fiquei descansando, após um banho prolongado e um lanche servido no apartamento.
A região da Savassi em Belo Horizonte, fica bem próximo a Av. Afonso Pena, grande eixo de tráfego da cidade. A maioria das ruas, são identificadas com nome dos estados brasileiros, ex. Rua Paraíba, Rua Alagoas e assim por diante. Muito arborizadas e floridas, mostram uma novidade nos cruzamentos de menor movimento, com a pintura de rotatórias indicado o sentido do tráfego, na própria pavimentação da rua.
Abriga essa região, além de muitos hotéis, prédios do governo federal e estadual, consulados, prédios residenciais e de escritório, estatais e um sem número de endereços interessantes, tais como os famosos “butecos mineiros” onde se come as iguarias locais mais charmosas e gostosas, e também, muitos “Dancing”.
Apesar de estar descrevendo tudo isso, não saberia confirmar quem mesmo saiu pra noite, onde foram, o que beberam, comeram e o que fizeram.
Só posso confirmar é que no café da manhã, havia uma ressaca, sem dúvida declarada. Quando o cidadão viu o bufê servido, quase que fez bobagem... Eu que sou daltônico assumido, quando mirei a cara do sujeito, fiquei curado na hora. Vi o cara totalmente “verde”, Até mesmo as suas roupas...
Botamos o indivíduo para retornar pra cama, acompanhado de dois pajens a lhe fazer beber o quanto pudesse de água.
Voltamos para a Suzuminas e só lá por volta das 11:30 conseguimos receber a última moto revisada. Abraços, agradecimentos muitos, porém poucos diante do merecido por todos eles. A Suzuminas foi, na pessoa do Renato e seus auxiliares, nota mil. Simpáticos, acessíveis, cordiais e fraternos. A minha próxima moto irei comprar lá....rsrsrsr
Abraços prá todos vocês..
Finalmente, de volta e em frente ao hotel e tendo as contas encerradas, pela batuta do nosso presidente Joaca, votou-se pela alteração da rota. Inicialmente definida, a rota incluía a passagem com visitação cultural, às cidades históricas de Ouro preto, Mariana e Tiradentes porém, àquela altura, 13:00 , não seria prudente mantermos a programação original. Haveríamos de dar uma volta, alongando o percurso em muitos Km. O que nos levaria a ter que viajar à noite, condição que de pronto foi logo descartada pela maioria. Abrimos mão do cultural em nome da segurança.
Novamente tendo o Turco como batedor e o Alexandre como seu auxiliar, agora mais do que nunca, imbuído e se achando o mais conhecedor meteorológico do estado de Minas Gerais, além de também profundo conhecedor da condição das estradas federais e estaduais, situação de tráfego, número de buracos e áreas de acostamento, nada poderia nos preocupar. Ou melhor, tudo nos levaria a preocupar se as premonições do Alexandre fossem confirmadas. De estradas intransitáveis a tempestades de granizo, que àquela altura seria de “granito”, a tráfego pesado e distâncias aumentadas em relação as que eu e o Joaca, aferimos quando em Setembro, levantamos todas a rota.
Como já dito, vindo do grupo, eu acredito “em tudo”...rsrsrsr
Belo Horizonte (II) -
Não muito distante de BH, ao passar pelo primeiro posto da Polícia Rodoviária Federal, fomos convidados a parar para uma fiscalização. Apresentamos a documentação do carro, da carreta, a minha pessoal classe “AD” e, sem que tenha sido percebido que as luzes de freio e pisca da carreta não estavam funcionando, o policial nos liberou, sem antes porém, nos recomendar por recolher o giroscópio vermelho que estava fixado no teto da Pick-Up, por ser este, de uso exclusivo da polícia. Claro que era sabido por nós. Valemos-nos em usá-lo, por conta da desinformação da maioria, arriscamos.
Liberados, seguimos então, sem dar ouvidos as previsões do Alexandre. O nosso silêncio foi quebrado quando ouvi um “engulho” vindo do banco de trás do carro. Me esqueci que havia um ressaqueado desmaiado, sendo transportado no banco de trás.
Por precaução, solicitei antes que alguém comprasse alguns medicamentos, tipo: Engove, Sonrisal, água de coco, sei lá mais o que, para que o distinto cidadão embrulhado pudesse melhorar daquele pequeno desconforto.
Aquele “engulho” me era conhecido. Aquilo era sinal de que um provável “tsunami” poderia estar a caminho, bem na direção do meu cangote, pescoço.
Gritei logo: Êpa! Ô rapaz, vê lá se não me afoga... Se notar que a coisa está por vir, me avisa logo pra que eu pare o carro imediatamente. Não vai aprontar comigo hem!
Um breve intervalo e o engulho voltou, Agora um e em seguida outro. E mais outro. A minha tensão aumentava. Mantinha um olho na estrada, agora sendo estaduais cheias de curvas, subidas e decidas e o outro olho no retrovisor, na esperança de me antecipar a alguma enxurrada de material não recomendável. E mais engulho... E de repente, ouvi um sussurro cavernoso que pude traduzir como: "pare o carro que eu vou..."
Não deu outra. O pé já estava no freio. Entrei no acostamento e nem tive tempo de tirar a bunda da carreta da estrada. O cidadão abriu a porta e esse foi o meu maior alivio. Como sem mesmo pensar, acreditem, passei a mão no meu cangote pra ter a certeza que não havia sido alvo de nada daquilo. Felizmente não fui.
Refeito, dei-lhe mais água e agora, sugerir comer uma pêra fresca e gelada que fazia parte do meu Kit de sobrevivência. Aceitou, comeu e voltou à dormência.
Bela visão da pedra defronte a Manhuaçu Visão de parte do grupo na estrada.
A decida de Domingos Martins é muito bonita. Trecho de muitas curvas e bom asfalto.
Encontramos muitas dessas belas vistas... Como se vê, a viagem não se limita a rodar no asfalto. Outra bela visão da decida da serra.
Após os sustos, seguimos para Belo Horizonte. Passando pela divisa do Espírito Santo e Minas gerais, seguimos aproximadamente uns 60Km e chegamos a Manhuaçú-MG que fica a 290 km deBelo Horizonte, 224 km deVitória.
Manhuaçu é cortada pelas rodovias MG 111 e BRs 262 e 116 e se constitui um entroncamento rodoviário de significativo movimento e importância. Aqui paramos para abastecimento, lanche, esticada de pernas, xixi e para os dependentes do fumo, algumas boas tragadas dos seus cigarros.
O turismo vem se desenvolvendo largamente nessa região, principalmente o turismo de aventura, de apreciação das belezas naturais e da gastronomia. Muitas sãos as cachoeiras e quedas d`águas. Trilha muito procurada é a que leva ao Pico da Bandeira com os seus 2.890 mt de altitude.
O café, a apicultura e o comércio, dão sustentação ao seu desenvolvimento.
Ainda no posto de abastecimento, ao som da música (Novo Amor- Banda Djavu) que acabou se tornando “a nossa cara”, deixamos os frentistas e clientes, sintonizados com a nossa alegria e remelexo, cada um fazendo a sua coreografia, integrando-se a nós outros, como se do grupo fossem. Muito bonito e contagiante. Tanto que daí prá frente, conseguimos contaminar a cada parada, uma legião de anônimos, frentistas, clientes, moradores, operários e quem mais ali estivesse, curtindo a nossa música e dançando conosco.
Rumamos para Rio Casca-Mg e João Monlevade, com a próxima parada em São Domingos do Prata –Mg.
Num momento de pensamentos distantes, fomos despertados pelo celular. Era o Turco, (companheiro Jadier), que de Belho Horizonte iria fazer parte do grupo. Se prontificava o Turco a vir nos encontrar em algum ponto da estrada, pilotando a sua DL-1000 V-Stron, nos facilitando a entrada em Belô, situação bem confusa para que não domina a região e o próprio trânsito.
Considerando que no nosso grupo tem “entendidos para tudo”, logo surgiu um dizendo que poderíamos no encontrar com o Turco no último posto Petrobrás à direita, sentido BH. Dizia este que a Petrobrás mantém uma regularidade de 200Km entre um posto e outro. Com base nessa “sabedoria logística”, acreditamos proceder a informação e a repassamos para o Turco.
- Pode vir. Nos encontraremos no último posto Petrobrás à direita, sentido BH, precisei ao Turco.
O Alexandre, aquele que se tornou o nosso batedor, mineiro de nascimento e por isso, achando-se mais conhecedor de Minas Gerais do que o Guia 4 Rodas, de imediato concluiu por ir se antecipar no encontro com o Turco, já que poderia contar com a cavalhada da sua Suzuli de 600cc. E assim foi. Se mandou à frente.
Não demorou muito e começou o turbilhão de telefonemas. Ora era o Turco dizendo que já teria se deslocado quase 180 Km e que não vira nenhum posto da Petrobrás. Ora era o batedor Alexandre, informando que já estava no anel rodoviário de BH e que até lá, não viu o Turco. Se não bastasse isso, recebíamos quase que ao mesmo tempo, as chamadas do Silvinho pelo rádio, dizendo que teria visto o Turco passar em alta velocidade na pista contrária (sentido Vitória) e que também não havia encontrado o tal posto da Petrobrás. Outras ligações foram também recebidas, nos deixando atônitos no administrar aquele desencontro.
Afinal, nos encontramos. Abraços saudosos no Turco e na Keyla (esposa) e assim, tudo reorganizado, seguimos em frente, entrando em BH sem problemas, indo até a Suzuminas, concessionária Suzuki, onde fomos muito bem recepcionados pela Gerência (companheiro Renato), o pessoal do comercial e oficina, além da própria direção da empresa. Sucos, refrigerantes, pãezinhos de queijo, bolo e cafezinho, servidos com muita delicadeza, ratificaram a fraternidade da família Suzuki e do motociclismo.
Prontamente, foi disponibilizada toda a estrutura da oficina para dar atendimento às nossas motinhas. Umas necessitando de revisão (garantia), outras, aquelas das pedaleiras da ignição quebradas lá em Eunápolis Ba no 1º dia de viagem, necessitando da substituição desses itens.
Já passava das 16:00 e lá ficamos até quase as 19:00, quando resolvemos ir para o hotel.
Divisa do Espírito Santo com Minas Gerais
Landim e tio Pila
Façam idéia do que o Wellington aprontou... Aplicação de uréia no gramado do canteiro da estrada.
O Gaucho pilotando O Gaucho querendo ultrapassar o Landim
Como de hábito, acordei muito cedo, fui até até a varanda do apartamento e fiquei encantado com a beleza da vista, estampada à minha frente. A cidade fica de certa forma, dentro de uma concha, circundada de serras por todos os lados. A névoa ainda se dissipando, abria espaços, buracos emoldurados em movimento, como se fosse uma cortina lentamente sendo aberta. Pude ver nas encostas da serra em frente, escondidas entre a vegetação densa, muitos e muitos chalés de duas águas, plantados assimetricamente, dando a impressão de terem sido colocados aleatoriamente e com o propósito de se colocar mais um elemento de decoração, naquela "tela" já tão bela.
Hora do café. Os burgmanianos iam chegando em dupla, uma atrás da outra. Felizmente, não estamos tendo trabalho para acordar esses envelhescentes. Achei o café um pouco simples demais. Umas frutinhas, paozinho com queijo e presunto, bolinho pré-fabricado, suquinho de laranja... O melhor era o dar boas risada com a gozação acirrada entre alguns. Uns poucos, os gozados. A maioria, os gozadores.Me identificava apenas como espectador privilegiado, curtindo toda aquela brincadeira, presente a cada parada, a cada encontro.
Fotos em frente a pousada, roupas de proteção no seu devido lugar, o trio elétrico ligado, arrumada a bagagem e depois de tudo Ok no fechamento das contas, iniciamos a nossa saída da cidade, fazendo o mesmo barulho de quando nela chegamos.
Aumenta o som! Era o que se ouvia como ordem do dia. E o som rolava, ficando claro para todos que os loucos daquelas motinhas estavam saindo, indo embora.
Mais fotos no portal e, entramos novamente na BR 262. Nosso próximo destino, próximo pernoite, Belo Horizonte.
Observamos por ocasião da nossa passagem de verificação por estas bandas, 30 dias atrás, que as rodovias daqui, mesmos as federais, tem características próprias. Mais estreitas, quase sempre sem acostamento porem, em muito bom estado de conservação. Deparávamos-nos frequentemente com equipes realizando manutenção e pequenos reparos.
A serra que iremos descer agora tem, geograficamente, uma importância que poucos se dão conta. Ela faz parte do Parque Nacional Serra do Caparaó. Constitui-se uma continuidade da Serra da Mantiqueira em se projetando para o rumo norte.
Nessa região, além de outros picos de destaque, com altura próxima a 2.800 metros, destaca-se o Pico da Bandeira com os seus 2.892 metros. A Pedra Azul, pico que fica próximo a Domingo Martins - ES., onde estamos nesse momento, faz parte desse amontoado e desdobrados picos.
A pista, embora em bom estado, oferece nesse trecho, uma situação delicada e merecedora de muita atenção, qual seja a questão da presença de óleo. Ao olhar cada faixa da pista, de ida e vinda, notava-se uma faixa escura contínua, formada pelo acúmulo de óleo. Não imagino serem resultantes de pingos desprendidos dos veículos e acumulados ao longo de uns 20 Km seguidos. Parecia que haviam pintado uma delimitação qualquer.
Isso por se só já representava um risco, imagine-se esta pista molhada. Não que estivesse chovendo. Não, estava molhada em razão do orvalho da madrugada, ainda resistente aos raios tênues do sol despertando.
Descíamos um longo trecho e ao final dele, avistávamos uma curva não tão fechada à direita. Ao olharmos melhor, alguma coisa tinha acontecido. Motos paradas no acostamento, não todas mais, um bom número delas. Também no acostamento, uma família tentava reparar uma pane em um corcel, ano 2004.
Tudo passava na minha cabeça... Puta merda! Alguém teve problema! Terá sido grave? Não tivemos resposta até que encostássemos o Trio Elétrico na margem da estrada e rapidamente tivéssemos informações. E aí veio a resposta:
O Silvio Santos caiu... Como? Nem precisava perguntar. O óleo na pista molhada. Graças a Deus nada sofreu, nem mesmo um leve arranhão. Também a moto nada teve. Exclamações, abraços, orações, cumprimentos e principalmente agradecimentos a Deus por ter poupado o Silvio Santos. Recomposto em parte do susto, pegou sua moto e zarpou mais cauteloso estrada em frente.
Mais decida e mais curvas. Um pouco mais adiante, nova exclamação, agora em couro: P.Q P. Outra vez não... Pedíamos assim. Vimos outra moto parada na borda da pista e ao lado dela, um corpo estendido no acostamento. Oh meu Deus! O que terá acontecido; Estávamos ainda sob o impacto do susto com a queda do Silvio Santos. E agora?
Porra!,” Filho de uma santa Filomena”... Era o Pedro Pedroca, deitado no chão, com a filmadora em mãos, fazendo uma tomada arquitetônica da passagem do grupo. Não poderia ele ter deixado para outro local, um outro momento? O safado deu um baita susto em todos que passaram por ali.
Depois de tudo passado, ouvi das “boas línguas”, uma nova versão sobre a razão da queda do Silvio Santos. A bem da verdade, o distinto teria declarado ter ficado empolgado com a beleza daquela região, dizendo inclusive que se disporia a comprar uma área, um lote de terra que fosse, para por ali ficar e morar. Teria ele também ficado encantado com a cor dos cabelos e dos olhos das nativas do lugar. Por essa razão, ao passar no dito local da queda, ele teriam visto uma placa:
“Vende-se esse Lote, tratar aqui”
Que mais poderia fazer? Nem mesmo esperou parar a moto, salto dela ainda em movimento, como se saltava dos bonde antigamente, deixou a moto se arrastando pela pista lisa e embrenhada de óleo e, cabaleando, tropeçando, caindo e levantando, se lançou lote adentro gritando:
“Quem é o dono disso aqui? Eu compro. Eu pago a vista...”
Partindo desse grupo, eu acredito em tudo que dou ouvidos...
Chegamos a Domingos Martins - Es.
Passamos por Linhares-ES., nesse trecho, a BR 101 está com o trânsito cada vez mais pesado. Já não vemos o grupo faz algum tempo. Deixamos de ter a companhia do Tio Pila e agora estávamos pajeando o Jura. Em todas as edições anteriores, o Jura sempre dava preferência a ficar junto ao pelotão da retaguarda, próximo ao carro de apóio. Observando que a velocidade dele estava a cada momento sendo reduzida, procuramos ficar mais atentos. Víamos que ele estirava a sua perna esquerda frequentemente, mudava a posição do traseiro toda hora. Será que estava querendo ir ao banheiro? Seriam gases? Ou mesmo brincadeira? O Jura sempre apronta e por isso, agente tem dificuldade de precisar uma avaliação.
Desta vez era diferente. Só tínhamos o Jura à nossa frente e alguma coisa estava trazendo desconforto ao nosso velho companheiro. Um pouco adiante, ele deu sinal à direita e prontamente o acompanhamos.
Ao consultá-lo, retornou dizendo que estava com fortes dores na perna esquerda e já sem condições de pilotar. Botamos o Jura dentro do carro e tocamos adiante.
Paramos em seguida para abastecimento. Como sempre procurávamos fazer, assim como fora combinado, fazíamos um rápido "briefing" do que deveríamos fazer a partir daquele momento, daquela retomada a estrada e outras coisas mais. O curioso é que invariavelmente ninguém cumpria o orientado, o combinado.
Já era final da tarde deste domingo, dia 04-10, e certamente não alcançaríamos Domingos Martins ainda com dia. Como apenas eu e o Joaca conhecíamos o acesso, combinamos que contornaríamos o anel rodoviário de Vitória, seguindo o Joaca, até onde deixaríamos a BR 101 e viraríamos a direita, rumo a Domingos Martins, nosso segundo pernoite.
A partir do local de deixarmos a BR101, passaria o carro de apóio para a frente de todos, protegendo-os dos faróis dos veículos que desciam a serra, retornando a Vitória após o final de semana. A situação ficava mais delicada visto que passou a chover. Todos sabemos que estrada com grande tráfego, com chuva, luzes de quem vai e de quem vem, nem sempre reduzida ao farol baixo, significam risco e por isso, toda a atenção e cuidado se faz necessário. Os faróis das nossas motinhas não foram projetados para esse tipo de uso. Mais do que nunca, careceria de um batedor, de um guia, de uma melhor proteção e isso, o carro de apóio poderia facilmente assegurar.
Como o dito, o planejado e recomendado não era considerado, tudo aconteceu ao contrário do combinado. Em razão do tráfego intenso, fomos nos distanciando do grupo e até mesmo do ultimo retardatário. Era às vezes, impossível fazer-se uma ultrapassagem, além do que, conduzíamos ao nosso reboque, a carretinha. Olhem as fotos. É bem grandinha...
Chegamos ao desvio da BR101 com a BR 262 que liga Vitória a Belo Horizonte. Deveriam está ali, todos aguardando a nossa chegada. Nada... Já escuro e chovendo, fomos adiante. Subimos toda a serra sozinhos. Em sentido contrário, parecia um rosários de tantos faróis acesos no sentido de Vitória. Curvas, curvas, limpador de para-brisa trabalhando com intencidade.
A temperatura que lá embaixo estava na casa dos 26 graus, ao passo de que íamos subindo, ela ia descendo. Ficávamos observando o termômetro, ponto a ponto, se reduzir.
Chegamos enfim ao Portal da cidade de Domingos Martins ES., temperatura agora registrando os 15 graus. Agrupados, estava o grupo a nos esperar. Agora sim, cumpriram o planejado. Deveriam seguir em formação de um único pelotão, sempre mantendo o carro de apóio à frente.
Vejam o Portal da cidade como é bonito.
Muitos gritavam! Aumenta o som!
Sim, porque o som do carro de apóio não era nada convencional. Poderemos até mudar o nome de carro de apoio para "Trio Elétrico". Imaginem que o compartimento de carga da pick-up está totalmente ocupado com as caixas, cornetas, subwoofer e um nível de decibéis capaz de deflorar o mais recatado e conservador tímpano.
Paradinha para abastecimento das motinhas no Posto Flexa de Teixeira de Freitas - Ba. - Lanchinho, pipi e muita gozação
Visão das montanhas de pedra bem defronte a cidade de Itamarajú - Ba.
Entre Eunápolis e Itamarajú, pode-se curvar muito bem. A estrada é muito boa, curvas em aclive e declive fantásticas para se sentir o gosto por curvar bem fechado.
Evidentemente que em se pilotando maquinas mais possantes, a emoção é incomparavelmente maior. "Quem não tem cachorro., caça com gato"
Nesse trecho, tivemos uma das poucas oportunidade de vislumbrar a maior parte do grupo desfilando na pista. Mas também foi por pouco tempo. Logo se dispersaram,
Uns puxando o pelotão para a frente e outros retardando o pelotão da retaguarda.
A visão desses brinquedinhos é sempre muito bonita. Dá gosto ver...
Cenas do pega um, é ultrapassado pelo outro. A cada ultrapassagem, mais um motivo para sacanear o outro nas paradas.
Vale ressaltar registrando, o espírito de fraternidade, de boa vontade e irmandade, demonstrado pelo Ricardo, motociclista morador de Eunápolis, cliente do Jura, e o do Dr. Wilson, Juiz de Direito, também motociclista, pela ajuda que nos ofereceu, qualificação e distintivo que só passamos a saber, quase ao final do favor e atenção que nos prestou.
Interessante destacar o quanto o motociclismo é forte e presente em tantas oportunidades e lugares que nem mesmo imaginamos poder contar.
O Ricardo, tão logo observou a nossa presença em frente ao hotel de Eunápolis, se aproximou em companhia de outros amigos, estacionando o seu Opala todo incrementado e equipado, chamando a nossa atenção pela beleza da rodas e pneus especiais. Identificou-se como motociclista e já cliente da Guimarães Motos (Concessionária Suzuki em Salvador) do nosso amigo Jura.
Depois dos abraços, perguntas e mais perguntas sobre a nossa aventura, manifestação de surpresa pela coragem do grupo, como teria se desenrolado o primeiro dia, como imaginávamos serem os próximos, onde iríamos pernoitar, se estávamos cansados, enfim, entre algumas cervejinhas bem geladas, ainda em frente ao hotel, na calçada, revertemos a posição e consultamos:
Ricardo!
Como poderíamos conseguir àquela hora da noite de um sábado, 19:15, um eletricista?
A resposta veio em seguida. O Ricardo pegou o celular, ligou inicialmente para o seu pai, imediatamente em seguida ligou para um tal de Wilson, que imaginávamos se tratar do eletricista desejado e, antes mesmo de desligar o telefone, já estacionava um carro branco importado, reluzindo os faróis xenon à nossa frente. Era o Wilson...
Após as apresentações iniciais e inteirado do nosso problema (regularização da iluminação/lâmpadas de freio e pisca), fez um telefonema e logo nos levava para o eletricista, este, figura muito simpática e competente, cheio de muita boa vontade, que logo se debruçou na busca pela identificação da causa do problema, até encontrar a solução desejada.
Enquanto esperávamos, os companheiros Luciano, Jordan e Alexandre cobravam a minha presença, telefonando a cada instante.
O Wilson, mesmo sendo por várias vezes solicitado pela esposa para atender a um compromisso social (uma festa), se manteve por todo tempo a me fazer companhia, dando apóio, até as 22:00 quando o Ricardo veio buscá-lo, levando-o a sua família.
Vimos na atitude do Wilson e do Ricardo, o verdadeiro sentimento de servir, de forma desinteressada e gentil, prática que só faz enaltecer o motociclismo e reacender inflamando, a paixão que sentimos pela motocicleta e ao que ela nos proporciona no convívio com companheiros a exemplo do Wilson e do Ricardo.
Se não bastasse, o Wilson ainda nos telefonou, quando estávamos em Belo Horizonte, procurando notícias nossas.
A vocês, caros amigos, me faço portador do agradecimento de todos os companheiros do BBA, Bahia Burgman Adventure, pela acolhida carinhosa que ao nosso grupo foi dispensada.
Eram 22:30 quando o reparo elétrico ficou pronto. Agradecemos, gratificamos pelo serviço realizado e por estarmos a essa altura morrendo de fome (não havíamos almoçado), desejávamos loucamente comer e beber alguma coisa.
Ao chegar a tal Pizzaria, o grupo já havia ido embora, encontrando apenas alguns poucos, embalados com um Show que acontecia ao lado da pizzaria e que, em companhia dos organizadores do Show, tentaram de todo jeito, me envolver, até mesmo me “aliciar” para que eu disponibilizasse o carro de apóio e com ele, a festa pudesse ter continuidade madrugada adentro.
Fiz da fome e do cansaço uma couraça de resistência e não sucumbi aos vários reclamos, comendo um bife safado com arroz e fritas, sem gosto de nada e fui para o hotel.
Quando cheguei ao hotel de Eunápolis - Ba., passava da meia noite. Os meus companheiros de apartamento Joaca e Jura, já embalados no sonhos dos justos, nesse momento, ainda na frequência "Estado Alfa", quando o estado de dormência se inicia e deixa a todos, sempre serenos, entrei no apartamento. Por cuidado e respeito aos companheiros, procurava não fazer qualquer barulho e não fiz mesmo. Continuaram dormindo. o problema é que não podia acender a luz. Porta fechada, ficava tudo "escuro como um breu".
O espaço apertado, 03 camas, mochilas e maletas por todo canto... Onde encontrar os meus pertences? Como identificar, como separar o que eu desejava? Não encontrava nem mesmo a toalha. Tiramam de cima da minha cama e não sabia onde havia ido parar.
Por volta de 1:20 da madrugada, consegui me deitar banhado, enxuto e vestido. O ar condicionado dirigido em cima de onde eu estava, me incomodava. Levantei e ao tentar redirecionar o fluxo de ar, não alcancei. Nada encontrei que pudesse ser usado para subir, fazer de degrau. Desisti... Procurei alguma coisa para me cobrir e fiquei só no desejo. Os que me antecederam já estavam fazendo uso e o serviço de quarto, provavelmente entendeu que eu não iria me interessar. Me enrosquei em mim mesmo e dormi.
Fui o primeiro a acordar. Quando retornava do banho matinal, fiz barulho de propósito e acordei os dorminhocos. Eram 5:45 e nos demos conta que o restante do grupo estava acordando, a considerar pelo barulho, risadas e fala com alto volume. Resenha, relatos da noite anterior, gozação pra lá e pra cá, a ponto de recebermos a informação que outros hóspedes estavam reclamando do barulho. Reclamação mais do que procedente. Como controlar 23 marmanjos?
Café para todos, alguns com cara de quem queria mesmo era voltar para a cama, arrumação de bagagem na carreta, acerto e fechamento de contas e já estávamos novamente prontos para a segunda jornada. A segunda perna da viagem como dizem alguns...
Notícia de primeira mão: O Fernando, aquele Brasiliense dorminhoco que gosta de fundo de caminhão parado, já estava de pé, nos informando que o seguro já havia providenciado tudo, desde a conta do hotel, a viagem de avião de retorna a Brasília, o conserto da moto, etc... Ótimo. Graças a Deus. Deixamos o Fernando e pegamos a estrada.
BR 101, pouco tráfego, temperatura muito agradável e tudo prometia uma jornada bem gostosa.
A próxima cidade seria Itamaraju -Ba. com suas montanhas de pedra, Teixeira de Freitas e depois Pedro Canário, ponto extremo da Bahia.
Em seguida, a divisa da Bahia com o Espírito Santo, sendo a primeira cidade mais destacada nessa rota, São Mateus - ES. De outro lado, ponto extremo Norte do vizinho estado. São Mateus data do ano de 1.544. Esta região se destaca assim como o Sul da Bahia, na pecuária bovina, na produção de frutas e verduras e principalmente na produção de madeira de reflorestamento, com base no eucalipto, ocupando grandes extensões dos dois estados e que alimentam duas grandes unidades industriais, em Muciri, próximo a Eunápolis, a Bahia Sul Celulose, hoje ligada ao grupo Suzano e a Aracruz Celulose, em Aracruz, esta ao norte do Espírito Santo, conglomerado hoje controlado pelo grupo brasileiro Votorantin.
O Brasil, liderado por esses dois complexos, se destaca como o maior produtor mundial de celulose.
E foi justamente em São Mateus, bem mesmo na saída dos limites da cidade que algo estranho aconteceu. Me pareceu um cena verdadeiramente trágico-cômica.
Entretidos estávamos no carro de apóio, eu, o meu destacado navegador Luciano, o Airton, meu novo companheiro a partir de Eunápolis e de quebra, o Baiano.
Este, por está se sentindo um tanto indisposto e por prudência, requisitou uma carona. Achamos que na verdade ele amarelou mesmo. É um célebre contador de façanhas, que faz e acontece mas , na hora "H", pediu pinico. Botamos a moto dele na carreta e ele seguiu dormindo o tempo todo.
Na verdade, não saberia explicar que tipo de acordo esses burgmanianos resolveram fazer. A cada trecho eles elegem um retardatário. lembram do Meron, do Ricardo, do Airton? Cada hora se apresenta um. Alternadamente se reversam e nós do carro de apoio, sempre mantendo a mesma posição de guardião do mais retardatário.
Desta vez, o Tio Pilar resolveu se apresentar novamente. Ele que já havia desfrutado dessa posição por mais de duas vezes, resolver encarar o posto. Com uma diferença: Estava agora consciente da decisão e ainda mais, fazia por birra. Birra como se fosse um adolescente contrariado. Ficara aborrecido com o grupo por tê-lo cobrado mais agilidade na saída das paradas. Na hora de todos pegarem a estrada, o Tio Pila ainda estava se arrumando, vestindo luvas, regulando o emaranhado de fios e conexões do sistema de comunicação que de verdade, muito nos ajudou. Enfim, por birra, se determinou a fazer uma viagem solo. Por outro lado, solo mesmo ele não poderia fazer, visto que nós, do carro de apóio seguramente estaríamos no seu encalço.
De volta a saída de São Mateus, como havia dito, aconteceu o inusitado. À nossa frente, após passarmos por vários "quebra molas", o que nos apareceu? O Tio Pila desviando para um lado e para o outro, como se fosse uma disputa de gato e rato, brigando para ver que teria a soberania e autoridade de passar primeiro por aquele pedaço, ele ou uns dois ou três garotos, acompanhados de um senhor, magro, quase curvado, ricos de cabelos brancos longos e mal tratados, montado em uma bicicleta, o qual liderava os seus acompanhantes e que, de repente, se postara a enfrentar o poderoso e já irritado e rebelde Tio Pila...
A distância entre eles se esgotava. Não se davam conta que teriam de decidir por onde e quem por ali poderia passar. Ficamos atônitos. Nada poderíamos fazer, a não ser observar e prender a respiração, voltando toda a atenção possível para o grande desfecho. Quem passaria primeiro? E por onde poderia passar?
Cheguei ainda em tempo, a me perguntar: O que levaria duas forças tão antagônicas se enfrentarem no meio de uma pista, uma rodovia federal de trânsito tão pesado? Particularmente ali, onde a presença dos caminhões chamados Tri-Trens, super pesados, carregados de toras de eucaliptos, é uma constante?
Olhávamos apreensivos e não percebíamos o tempo passar. Era realmente "trágico-cômico". A visão que tínhamos era que estavam eles em câmara lenta...
Lentamente o "gran finale" aconteceu. O desfecho foi o de que nenhum arredou dos seus propósitos, da sua autoridade. Independentemente de um se achar o dono da terra, do pedaço, morador há mais de 50 anos e o outro, dono da sua cavalaria (12 cavalos e um pequeno potro), de 125 cc, se achando dono da razão e do poder.
Não deu outra. Se bicaram. O velhote foi ao chão. Caiu literalmente de bunda.
Acordamos na cena e numa análise rápida, pudemos comprovar que nada de grave havia acontecido e que se parássemos, só iria gerar discussão e retardamento da nossa jornada. Sugerimos seguir em frente e o Tio Pila, puto da vida, saiu esbravejando, gesticulando muito ainda por Km e km adiante.
Sabidamente, o Tio Pila aproveitou o fato e justificou continuar retardatário até passar o bastão para o Jura, próximo a Vitória.
O pessoal do carro de apóio também tem essa função... registrar e relatar fatos "verídicos".
Passamos por Itabuna – BA. Seguimos para Camacã – BA. Antigo grande centro produtor de cacau, hoje em decadência, em razão da devastação causada pela doença “Vassoura de Bruxa” que dizimou a economia da região, trazendo miséria e desgraça para milhares de tradicionais moradores, produtores, trabalhadores, envolvidos com a cultura do cacau.
Aqui em Camacã a doença foi instalada criminosamente. Olha, como ex-cacauicultor, herdeiro e 3ª geração de uma família de produtores de cacau, sinto na pele o quanto sofrido tem sido para tantos. Vamos mudar de assunto...
Abastecidas as motinhas, mais lanche. Parece que esse pessoal não para de comer. Não podem ver uma lanchonete e se empanturram de salgados, doces, sucos, refrigerantes e sei lá mais o que. Há! E toda hora tem o tal do xixi. Também, com a quantidade de líquido que ingerem, não poderia ser diferente.
Deixamos Camacã em direção a Eunápolis.
De repente um susto!
Para, para; Todo o grupo no acostamento. Naturalmente, somos levados a pensar no pior até que verificássemos nada ter acontecido com o nosso pessoal.
Todos estavam bem.
Depois de pararmos com segurança, saltamos e fomos verificar que o motociclista de Brasília que acompanhava o grupo desde Salvador, havia dado um cochilo, se desequilibrou e teve a sua moto lançada contra um caminhão que estava estacionado no acostamento, fazendo a troca de um pneu.
Poderia ter sido um sério acidente. Graças a Deus, ele nada sofreu, nem mesmo um arranhão. A moto? Bem, esta se espatifou. Sem condição de trafegar, lhe prestamos socorro, colocamos na carreta a moto e o dorminhoco no carro de apóio, seguindo viagem até Eunápolis.
Faltando uns 30Km para chegarmos em Eunápolis, opa! Lá estava um grupo no acostamento. Dos 20, somamos uns 08 ou 09 do grupo.
O que houve? Veio a resposta: Seis daquelas motinhas haviam passado, uma atrás da outra, por uma depressão (na verdade uma forte e brusca diferença de nível) do asfalto, tão significativa, difícil de ser visualizada e evitada, em razão da qual, lamentavelmente, uma após outra, teve o pedal de ignição quebrado. Sem condição de rodar. E aí?
Vocês não imaginam quanto engenheiro de obra pronta, quanto mecânico, quanto técnico, quanto analista, pesquisador e crítico apareceram. Opiniões, princípios técnicos, análises, pareceres, milhões... Teve gente até que ensaiou fazer relatório e laudo técnico a ser encaminhado para a Suzuki no Japão e para o Denit aqui no Brasil. Para a J. Toledo, não vamos nem levar em conta quantos...
E aí, desponta a nossa frente, o “Salvador”. Tocaram-se os clarins e surgiu o Silvinho Refripar. Membro do grupo, dono de oficina mecânica, iniciante no BBA, trilheiro e corredor de Cart. Deu uns dois ou três berros aqui, outros tantos “aculá”, Chutou a canela de um, o saco de mais outro e então... o silêncio.
Buscam-se as ferramentas, não havia a desejada. Alicate de pressão. Exclamou ele Silvinho.
Sem mesmo ser requisitado e no afã de ser agregado ao grupo, prestativo por índole, nos fez ouvir o roncar da sua moto, e que não se parecia com as nossas. Era o Alexandre. Na arrancada, mostrando presença, alcançou os 110 Km/h na segunda marcha. Ninguém entendeu nada. estaria ele nos abandonando? Não. Até porque, ele estava se deslocando no sentido contrario ao que nos levaria a Eunápolis Nada entendemos.
De repente, olha o farol cintilante vindo em nossa direção. Era o Alexandre. Logo que parou, apresentou o “Alicate de pressão”. Como quase num coro ensaiado, ouviu-se: Como consegui isso? E ele respondeu. Troquei pelo meu par de luvas. Deixei as minhas luvas no borracheiro do posto situado a uns 7 km atrás e ele me consegui a ferramenta. “Puta merda”. Alívio... Só mesmo o Alexandre, acho que foi o que todos pensaram.
Novas broncas do Silvinho, todos se afastaram do local de trabalho, exceto dois ajudantes designados, que mais se pareciam com instrumentadores cirúrgicos. Onde eu me situava nesse momento? No bem bom. Dentro do carro de apóio, identificado como o trio Elétrico, gozando do ar condicionado bem frio e relaxando com uma bela música do Tony bennet (Who cares) e outras pérolas.
Foi nesse caminhão aí que o Fernando (de Brasília), após um rápido cochilo, se chocou. Apenas a moto ficou comprometida. Ele, graças a Deus nada sofreu.
O Silvinho, conseguiu, uma a uma, arrancar o sistema de ignição mecânica, liberando todas as motinhas para seguir viagem. E assim aconteceu. Chegamos ao nosso destino Eunápolis, para o primeiro pernoite.
Paramos para abastecimento. Eram 10:35 desta manhã do dia 03-10. Até aqui, tudo bem, viagem tranquila, os bólidos à frente e nós, do carro de apoio, apoiando apenas o Meron e o Tio Pila. Prudentes, cautelosos, mantinham a velocidade entre 70 e 80 KM/h. Numa primeira avaliação, poder-se-ia dizer: Como entender o Meron e o Tio Pila serem retardatários, se todas as motos são iguais e desenvolvem a mesma velocidade?
A questão é que poderíamos fazer uma analogia destas motinhas, na sua realidade, com os foguetes da Fórmula 1. Em princípio, todos na mesma condição com os seus equipamentos. A diferença fica por conta da habilidade, do uso da oportunidade, da garra, da ousadia em aproveitar o embalo de uma decida para vencer uma subida que se aproxima. De gerar um embalo suficiente para ultrapassar uma carreta à sua frente, sem que se exponha a um risco maior. Enfim, por uma rápida desacelerada, perdia-se 100, 200 metros em relação aos que iam à sua frente. Assim repetindo, ocasionava um distanciamento absurdo entre o grupo mais "afoito" e os dois ou três assumidos "cautelosos".
Cabia ao veículo de apoio, como assumido e planejado foi, se manter sempre e em qualquer circunstância, como o último veículo de todo o pelotão. Essa era a sua função. Nunca poderíamos deixar quem quer que fosse na retaguarda do carro de apoio.
Chegando a Aurelino Leal – Ba., se fez novo lanche, abastecimento, fotos, filmes, brincadeiras e resenhas...
Após a nossa saída, nos demos conta da falta da nossa câmara. Companheira de tantas viagens. Que nos permitiu o registro de tantas emoções... Perdemos. Não sabemos explicar como. Depois de alguns Km rodados, o amigo Alexandre com a sua “híbidra” F.750 e Bandite 650 (até hoje não entendi bem o que ela é afinal), retornou ao local, atendendo ao nosso pedido e, nada encontrou. Perdemos? Fomos roubados? Não sei. Só sei é que perdi uma amiga muito querida. Deus sabe o que faz. Vão-se os anéis...
Nossa Primeira parada em Sto. Antônio de Jesus -Ba.
Saída de Salvador 03-10-09
Início da 3ª Edição do Bahia Burgman Adventure
O relógio biológico -
Com a idade chegando e a prática sendo exercida, podemos assegurar que nos é mais fácil acreditar e confiar no nosso relógio biológico do que nessas maquininhas modernas de hoje, a exemplo da maravilha que é o celular.
Pois é; Como o horário do nosso Ferry Boat era o das 06h10min da manhã e eu teria que além da minha "toilete", providenciar o atrelamento da carreta ao carro de apóio e ir buscar o companheiro Luciano, programei o despertador para me acordar às 04h30min. Não despertou. Não por falha do equipamento, mas por falha na programação no despertador.
Ai se não fosse o meu "biológico". Acordei de susto às 5:00 e por pouco, não chego atrasado, perdendo o Ferry e criando a partir do primeiro momento da viagem, transtorno para todo o grupo.
Tudo bem... cheguei a tempo. Entramos com o carro no Ferry, dividi com todos a grande euforia que ali emanava, tirei fotos, filmei o grupo, conversei, troquei e passei informações da viagem para muitos.
O dia iniciava meio "careteiro", com nuvens e ameaça de chuva. Não deu outra, às 7:00 estávamos todos zarpando de Bom Despacho, terminal do Ferry, na ilha de Itaparica, após singramos a "Baia de Todos os Santos" que nos separava de Salvador.
Acreditam que teve quem tivesse de ir ainda abastecer a sua moto? Pois foi, registramos isso, apesar de tanta programação e orientação dada nas nossas reuniões. E não só isso. Começou a chover e tivemos que parar o carro por umas duas vezes para que alguns vestissem as suas capas de chuva.
Seguimos em frente e logo percebíamos o quanto estavam muitos do grupo, eletrizados de adrenalina, disparando as motoquinhas como se a bandeirada xadrez fosse ser baixada poucos km à frente. Esqueciam eles que naquele momento, iniciávamos uma aventura de mais de 2.400 km e que não seria possível manter aquele rítimo por todo o tempo.
Por outro lado, perfeitamente compreensivo. Todo início de aventura, de desafio, para alguns do desconhecido, esse comportamento sempre acontece.
Passamos por Nazaré das Farinhas e fomo registrar a nossa primeira parada em Santo Antônio de Jesus-Ba, por volta das 08h30min da manhã. Um bom lanche nordestino, composto de várias iguarias (requeijão, farofa de carne com lingüiça caseira de porco, sucos de fruta regionais e muitos outros petiscos) fez o desjejum de todos.
Abasteceram-se as motos e caímos na estrada. A chuva já havia passado, a pista estava seca, o asfalto da BR 101 estava bom, trânsito leve e uma vontade louca de engolir aqueles dois milhares de Km rapidamente. Não conseguíamos acompanhar o grupo em conjunto. Por compromisso, nos mantíamos sempre na retaguarda do último do pelotão.
Santo Antônio der Jesus -Ba.
Embarcados no Ferry em direção a Bom Despacho, Ilha de Itaparica, a dupla mais unida do grupo.
Gestão do Fósforo “Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.
Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.
Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: “- Bem-vindo ao Venetia!” Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.
No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto apenas para passar a noite começou a pensar que estava com sorte.
Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um.. Que noite agradável aquela!
Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: “Sua marca predileta de café. Bom apetite!” Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe? De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.
Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal. “Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?” Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista Havia perguntado qual jornal ele preferia. O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor.
Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial? Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal. Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje. Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas. O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!!!
Lembrando que: Esta mensagem vale também para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes passam despercebidos. ”
Como poderão ver, procuramos corresponder a atenção e simpatia do Gustavo no contato que nos fez.
Da nossa aventura, do nosso projeto, decorrerão muitas outras manifestações desse tipo. Caberá a cada um de nós, de forma individual ou quando representando o grupo, pôr em prática ações que retratem da melhor forma e estilo, o sentido que desejamos cultivar tanto no relacionamento dentro do próprio grupo, como dele para com os de fora.
A imagem de boa conduta, de bom relacionamento e a busca por momentos de confraternização e gozo da alegria, certamente será a tônica das nossas viagens, dos nossos passeios.
O BBA - Bahia Burgma Adventure, é hoje, sem qualquer dúvida, uma "instituição". A nossa marca de aventureiros bem sucedidos, ousados, porém responsáveis, já está correndo os quatro cantos do nosso país.
A medida que a nossa imagem se propaga, cresce também o tamanho da nossa responsabilidade. Esta, não mais deverá se limitar ao bom conduzir das nossas motonetas, na obediência das leis de trânsito e nas normas de boa convivência do grupo.
A cada dia, nos tornamos comprometidos em preservar e enaltecer o nosso nome, a nossa imagem, repassando àqueles que nos tomam como referência, o sentido de procurar ser feliz pilotando uma moto. De se dispor a participar de um grupo, respeitando suas regras e normas, reconhecendo e respeitando as diferenças dos seus pares, valorizando o motociclismo, assim como a vida humana.
Nas nossa viagens e aventuras, não deverão ser deixadas de lado a ricas belezas dos locais onde passaremos, não deveremos desconsiderar a história e a cultura daqueles com quem manteremos contato.
Ricos seremos se conseguirmos somar conhecimento, informações... Ricos e respeitados seremos vistos, se pudermos comprovar o quanto conhecemos da história do nosso país, do nosso povo. Conhecer e aprender tudo isso adicionando-se o tempero da alegria e do prazer, poderá vir a ser para nós, a consagração e realização dos nossos desejos.
Despertemo-nos todos então, para valorizarmos cada momento da nossa viagem, para deslumbrarmo-nos com cada paisagem deparada, cada curva, cada ladeira, cada cidade, cada povo. Degustemos suas iguarias, brindemos com os seus hábitos, confrarternizemo-nos com os seus modos...
Vamos levar alegria por onde passarmos, deixando a nossa marca BBA - Bahia Burgman Adventure na lembrança de todos que nos conhecerem.
Hoje, dia 16-09-09, damos início a contagem regressiva para o dia da nossa viagem aventura, o BBA 2009.
Daqui a 18 dias, portanto dia 03-10-09, zarparemos de Salvador com destino a São Paulo, com previsão de chegada na tarde do dia 09-10-09.
O grupo já está confirmado com 20 participantes. Todos seguirão pilotanto as suas Burgman 125 AN (Scooters da Suzuki).
Temos estado um pouco afastados daqui do nosso Blog. Muitos afazeres, muitos outros compromissos, vêm nos impedindo de alimentá-los com as informações dos preparativos da viagem.
Entretanto, embora sem dar notícias, temos criado algum conteúdo, que aos poucos, será divulgado.
Um registro de poucos dias atrás, foi a nossa ida a São Paulo, no último dia 03-09-09.
Saímos, eu (momo) e o Joaca, de carro, com o intuito de observar, analisar e registrar tudo o que fosse possível ao longo da nova rota, Salvador até São Paulo. (veja abaixo, as cidades por onde iremos passar)
Saímos, no mesmo horário já marcado para o dia 03-10-09, mantivemos a velocidade muito próxima àquela que as nossas burgman irão desenvolver, visitamos todos os hotéis, identificamos todos os postos de abastecimento, anotamos todos os trechos das estradas, merecedores de uma maior atenção por parte dos nossos companheiros motociclistas, observamos o tempo de viagem para cada trecho, situação de tráfego, enfim, tudo que pudesse concorrer para a maior segurança de todos, evitando-se assim, surpresas desagradáveis.
A experiência foi válida e muito prazerosa.
Pelo nosso planejamento, tudo está praticamente pronto. Só falta a adesivação das motos, da carreta e do carro de apoio.
Teremos ainda mais 03 reuniões e aí, pé na estrada.
A partir do próximo dia 21-09, estaremos mais freqüentes aqui, atualizando as últimas novidades.
Será, nessa pequenina motoneta, que faremos a 3ª Edição do BBA - Bahia Burgman Adventures 2009
Vejam os dados técnicos abaixo. Considere-se que é uma moto de concepção para o uso urbano.
Ela é verdadeiramente uma valente. Para terem uma ideia, dois dos nossos companheiros estão na faixa de 140Kg e nem por isso, as suas motos apresentaram qualquer tipo de problema por ocasião das duas edições do BBA (2005 e 2007).
Ela é sem dúvida uma líder no mercado.
Ficha Técnica
AN125 BURGMAN R$ 000000 (não informado)
Motor
4 tempos, monocilindro com 2 válvulas, ohc, refrigeração a ar forçado
Cilindrada
124 cm³
Diâmetro e curso
52,0 x 58,6 mm
Taxa de compressão
10.2:1
Transmissão
Variável automática "cvt"
Sistema de transmissão
Correia em "v"
Sistema de lubrificação
Cárter úmido
Alimentação
Carburador mikuni bs26ss - a vácuo
Ignição tipo
Eletrônica digital
Sistema de partida
Elétrica e pedal
Comprimento total
1.772 mm
Largura total
682 mm
Altura total
1.112 mm
Distãncia entre eixos
1.255 mm
Distância do solo
120 mm
Altura do assento
740 mm
Peso seco
112 kg
Suspensão dianteira
Telescópica de amortecimento hidráulico
Suspensão traseira
Balança de monoamortecimento hidráulico tipo "link" regulável
Freio dianteiro
Disco ventilado de 180mm, com acionamento hidráulico mordido por pinça deslizante de pistão simples
Freio traseiro
Tambor de 120mm, acionamento mecânico com sapatas expansoras internas
DESAFIO IRON BUTT: 1000 MILHAS EM 24 HORAS DE SCOOTER
O Iron Butt, que na tradução literal significa "bunda de ferro", foi criado por um grupo de aficionados americanos, e vem seduzindo adeptos no Brasil. Entretanto, para que os motociclistas interessados possam fazer parte da Iron Butt Association (IBA) é necessário que eles possuam um Certificado emitido por esta Associação.
Para obter o Certificado da I.B.A. as exigências também são "de ferro", estão listadas na página www.ironbutt.com. Para percorrer a distância de 1000 milhas(1609 kms) em 24 horas, o candidato a Iron Butt é submetido a uma rigorosa triagem, pois é necessário ter larga experiência em estradas, excelente preparação física e principalmente muita organização, já que tudo tem que ser devidamente comprovado, aferido e documentado em detalhes.
Percorrer 1.000 milhas de estradas em 24h, guiando sozinho um automóvel é considerado, pela maioria, um sacrifício, um desconforto desnecessário. Agora imagine fazer esse mesmo percurso pilotando uma motocicleta. Elevaríamos essa proeza a qualidade de desafio. Pois três motociclistas de São Paulo resolveram exceder - e vão encarar esse desafio pilotando cada um a sua singela Scooter 125cc.
Esse grande desafio tem nome: Iron Butt 1000. E dá direito ao certificado da IRON BUTT ASSOCIATION. Ser um Iron Butt é motivo de orgulho entre motociclistas do mundo inteiro.
Desde 1993, essa associação certifica viagens de 1.000 milhas em até 24h. A idéia surgiu em uma associação de “mototuristas” da Califórnia – EUA.
O trio de motociclistas brasileiros (José Carlos Santos, Edrey Momo e Paulo Bertozzi) tentará superar esse desafio no dia 19 de Abril de 2008. Saindo da cidade de São Paulo percorrerão boa parte do estado paulista e voltarão para completar os 1.609 km na capital.
Após a largada promocional, cada piloto abastecerá sua scooter no posto oficial, obtendo então seu tempo de largada a partir do horário impresso na nota de abastecimento emitida por computador. O mesmo procedimento deverá ser repetido em todos os postos do percurso até o ponto de retorno.
A sexta corrida do ano das 125cc vai começar com o espanhol Julián Simón na pole position no Grande Prêmio Cinzano da Catalunha no domingo, graças ao tempo de 1min51s448 conseguido na qualificação.
Simon registrou o seu melhor tempo perto do final da sessão sob condições extremamente quentes, com a temperatura da pista a 51ºC e a do ar a 38ºC.
Representando a Derbi de fábrica numa próxima segunda posição ficou Pol Espargaró, a apenas 0,02s da pole numa pista que fica muito perto de sua casa – o catalão vai para o circuito de scooter.
Extrai do Site do "Rock Riders" estas fotos, que muito bem ilustram uma boa formação de pelotão de motos na estrada.
A segurança do motociclista e do grupo, independentemente do tamanho, tipo e modelo da moto, deverá sempre ser considerada como principal preocupação.
Na formação de um grupo como o nosso, com 20 participantes, o cuidado deve ser redobrado.
Como sugestão, apresentamos alguns cuidados e procedimentos:
A formação do pelotão deverá ser sempre de duas motos alternadas, porém não paralelas (uma a direita ao lado da faixa do acostamento e outra a esquerda, próximo a faixa central da pista.
Todo pelotão deverá ter o "puxador" (o Líder), cuja responsabilidade será a de determinar o rítimo da viagem, sinalizando aos demais, informações relevantes de advertência.
O "Puxador" poderá ser alternado ou substituído a qualquer momento. Isso se dará naturalmente, sem que se caracterize uma disputa ou uma competição entre os condutores.
A formação dos parceiros de viagem, se dará naturalmente, após os 200, 300 Km. Cada um irá naturalmente se identificando com aquele que mais se aproxima do seu jeito de pilotar
Nas ultrapassagens de qualquer tipo de veículo e principalmente os de grande porte, deverá ser observado se há verdadeiramente condições para uma ultrapassagem segura. A distância da reta, a velocidade do veículo a ser ultrapassado, obrigatoriamente terá que ser considerada. Caso esse veículo esteja a 90 ou 100Km/h, a ultrapassagem não será possível, visto que seu equipamento (moto com 125 cc) já se encontrará no limite de velocidade. Se insistir nessa tentativa, estará exposto a grande risco.
As ultrapassagem não deverão ser feitas em grupo, embolado. Nesse caso, a formação o pelotão deverá ser de uma única fila de motos.
Ao perceber a aproximação de um veículo, se mantenha no mínimo, no meio da pista. Esse cuidado, poderá lhe permitir espaço para se livrar de um possível aperto (chega pra lá), sempre derespeitosamente praticado pelos condutores de veículos de 4 rodas, quando estão próximos a motocicletas.
Observe as condições da aproximação desse veículo e procure facilitar sua passagem. Lembre-se que você não poderá nunca competir com ele, particularmente conduzindo uma moto de porte tão pequeno.
É sempre recomendável que sejam formados pelotões intermediários, de 05 ou 6 motos, mantendo-se um afastamento em torno de 50 metros entre estes grupos, de forma que possibilite a fuga de um veículo maior, durante um ultrapassagem. Fique certo que ele, rapidamente deixará essa posição e tudo voltará ao normal. Não se aborreça por isso. Assim será mais seguro.
Nunca se posicione exageradamente próximo a trazeira de qualquer veículo. Uma pequena distração, uma freiada ou redução brusca de velocidade, poderá não ser percebida a tempo e lhe causar sérios danos. Não confie cegamente no freio e demais recursos do seu equipamento. Alguma coisa poderá falhar quando mais precise.
Observe não se posicionar muito próximo a moto do seu companheiro. Mesmo em baixa velocidade, é sempre perigoso.
Considere que as brincadeiras enquanto pilota a sua moto, embora sempre agradáveis, são acompanhadas de grande risco, para você e para os seus companheiros de viagem.
É recomendável se instituir a figura do "fecha" pelotão (o anjo). Este terá a responsabilidade de verificar que ele será sempre o último do grupo. Essa posição, assim como a do "Puxador" (Líder), poderá também ser alternada com outros condutores. Em qualquer situação de retardo, pane, acidente, o "Fecha" estará atento.
No nosso caso, essa posição estará reforçada com o veículo de apóio. Este, não poderá se distanciar do grupo. Deverá ser o último a deixar os pontos de parada, devendo se certificar se todos já se deslocaram e que não há nenhum retardatário.
Outra função do veículo de apóio será a de sinalizar para os veículos que se aproximam da retaguarda, da existência de veículos de pequeno porte a sua frente, alertando os seus condutores para que redobrem a sua atenção, respeitando-os.
Ao veículo de apóio, só será permitida a saída do seu posicionamento, deslocando-se para mais a frente, quando em algumas situações, ele necessite se colocar em condições estratégicas para aproveitar um bom ângulo para fotos e filmagens.
Nas fotos apresentadas como exemplo, deve-se considerar que a estrada é de pista dupla, o que naturalmente proporciona mais segurança.
Ao clicar no Link abaixo, você visitante, poderá ter acesso a uma página na Internet, onde poderá assistir vários vídeos com conteúdo do BBA - Bahia Burgman Adventure 2009 ou que tenha algum tipo de relacionamento com o BBA.
Inicialmente, esses vídeos estão previamente gravados e disponíveis. Para assistir, click naquele do seu interesse.
Ocasionalmente, poderá assistir um vídeo em tempo real, ao vivo. É isso mesmo. A qualquer momento, poderemos estar filmando e sendo retransmitido via Internet, ao vivo. Tecnologia nova, disponibilizada pelo companheiro Landim, diretor de "TI", (tecnologia da Informação) do grupo BBA.
Esse recurso, será mais amplamente e frequentemente usado, a partir do início da viagem (03-10-09), onde, a cada parada, ou fato que assim justifique, a transmissão acontecerá direto para a Internet (audio e vídeo), proporcionando aos que irão nos acompanhar via Blog, amigos e familiares, uma visão do local onde estaremos naquele momento, receber as nossas mensagens, traduzir no semblante de cada um de nós, o que estaremos sentindo.
Resalve-se a impossibilidade de transmissão, em algumas cidades onde não tenhamos acesso ao sinal da operadora de celular.
É oportuno lembrar que a qualidade de vídeo estará um tanto prejudicada em razão de que estaremos usando uma camara de aparelho celular, de resolução baixa.
Vídeos de qualidade melhor, serão postados no Link (vídeos da viagem), situado ao lado direito da sua tela de computador. Estas postagens acontecerão a cada oportunidade que nos for possível publicar.
Informamos que desde início de Junho passado, reativamos o nosso Blog. Poderão pensar, entretanto, por qual razão quase nada estamos falando da viajem, das motos Burgman, etc...
Acontece o seguinte: A viajem só irá acontecer em 03-10-09. Daqui até lá, não teremos muito o que narrar e quanto às informações e planejamento da viajem, estas vem sendo tratadas a cada reunião. Agora estaremos realizando semanalmente. E nem pensem que é só farra. Temos pauta, temos atribuições delegadas (nem todos cumprem), temos tudo direitinho.
Só não temos patrocínio. Todos haverão de bancar tudo sozinhos.
A reativação do Blog, entendemos, serve para aquecer o entusiasmo de todos, gerar curiosidade a quem nos lê e inveja àqueles que por alguma razão não poderão ir (não é Daniel? O Jura cortou o barato dele... Hahahahaha)
No jantar acontecido nessa última sexta feira, lá no Botino, vocês precisam conhecer, a alta cúpula do poder do BBA apresentou uma proposta, que de imediato foi aceita por todos os presentes. Cogitou-se de fazermos dois pequenos eventos antes mesmo da viajem de Outubro;
·Fazer-se um bate e volta até a cidade de Conde, norte de Salvador, via rodovia Linha Verde.
·Em Setembro, aproveitando que o dia 07 cairá numa 2ª Feira, pretendemos ir até Lençois, região da Chapada Diamantina, distante de Salvador aproximadamente 450 KM.
Nas duas oportunidades, votou-se que as nossas esposas serão nossas convidadas de honra. Teriam elas então, uma chance de vivenciar mais de perto o que acontece nessas aventuras. O que fazemos, como nos divertimos, como pilotamos a nossas valentes motinhas, como a integração acontece e, por fim, como poderemos viajar e nos divertir com segurança.
Portanto, meus caros leitores e visitantes anônimos, pedimos que nos acompanhem. Que aguardem o que traduziremos dessas experiências pré-início da grande viajem de 03-10-09 (Salvador até São Paulo).
Para quem não sabe ainda, iremos todos pilotando motinhas ou como queiram assim chamar, motonetas scooter de 125 cc, aquelas que mais parecem uma Lambretinha, numa viajem de 07 dias, saindo de Salvador até São Paulo, percorrendo uma nova rota.
Desta vez, além de passarmos por Domingos Martins ES. cidade de colonização alemã, seguiremos até Belo Horizonte e visitaremos todas as cidades histórias do ciclo do ouro e de lá até São Paulo.
Veja abaixo, a relação das cidades, o mapa do roteiro e veja também as experiências dos anos de 2007 e 2005. Busque o período do seu interesse.
Lamentamos ter ouvido do Jura que, em razão da “Crise Internacional” e das “Denúncias de Irregularidades no Congresso”, teríamos de encontrar outro endereço para as nossas reuniões quinzenais, historicamente realizadas na Guimarães Motos.
Consternados e preocupados com o quanto esses fatos têm transtornado a vida do Jura, resolvemos acatar, respeitando o que estava sendo deliberado.
Deliberado também foi o estabelecimento de que as reuniões passarão a ser semanais, o que fez prontamente o Mário se levantar e defender como novo local, o Bar Oceania, histórico bar da nossa cidade.
Quando chegamos, um pouco atrasados bem verdade, a reunião já se instalara, como sempre devido, sob o comando do Joaca. Segui-se a pauta, muitas considerações, puxa pra lá, puxa pra cá e, quando me dei conta, estava viajando nas minhas lembranças. Mantive meu corpo ali, numa postura de faz de conta e dei asas aos idos das décadas de 60 e 70.
Naquele mesmo Bar Oceania, sempre servido pelos saudosos garçons Hamilton e Vovô, passei momentos bem marcantes da minha mocidade. Fui, assim como várias gerações outras foram, protagonista de um cenário dominical talvez impar, sem igual em outra qualquer cidade brasileira.
Aos finais das tarde de domingo, aquele trecho da Av. Oceânica, a partir do Bar Oceania, se transformava em um espetáculo em desfile, de lindas garotas e garotos, na exuberância da sua mocidade, emoldurados nas grifes das lojas Sloper, Lobrás, Galeria Politécnica, O Adamastor, Lido, pilotando a 10 KM por hora, os seus maravilhosos carangos para lá e para cá.
Eram fuscas de todas as cores, incrementados com as descargas Cadron, roda tala larga, cabeçote rebaixado, toca-fitas TDK cara preta, esnobando fitas de 120 minutos da SONY ou BASF, estraçalhando os nossos ouvidos com os agudos twitter e alto falantes de 8”, ouvindo as músicas de “Santana, Jovem Guarda, Elvis e muitas vezes por exemplo, Teach Me Tiger.
Era uma esnobação. E não apenas fuscas passeavam por lá. Haviam também os Dofines, Gordines, DKW sedan e Vemaguetes, os Aero Wyllis, Rural Wyllis, caminhonete Crevrolet de 4 farois nas cores azul claro e branco, os Itamaratis, os TL, Variant,Passat., SP2, SP1, os Ford - Corcel I, Galaxie, F-100 Maverik, os da Chevrolet - Opala, C-10, da Fiat - Fiat 147, Alfa Romeu, da Dodge - Polara, Dart, Dart Coupe, Le Baron, todos impecáveis.
Quando não ouviam seus TDK, estavam sintonizados na Radio Mundial AM 860 Khz.
Quem não se lembra daquela voz grossa, empostada, que estrategicamente esperava uma pequena pausa na música para mixar o MUNNNNN-DI-ALLLLLLLLL?
Isto, além do charme, servia para que outras emissoras não gravassem o acervo da Mundial que era “updated” todos os dias, numa época que conseguir um 45 RPM importado era uma tarefa de gincana.
No dia da morte de Jimi Hendrix, o radialista Big Boy chorou no ar, no horário do seu programa, enquanto fazia homenagens ao guitarrista. Enquanto isso, nas rádios reacionárias, Jimi Hendrix era tratado apenas como um "preto drogado".
As menininhas se jogavam em cima dos carangos, parecendo um verdadeiro vespeiro e, literalmente se fechava a avenida. Os ônibus mudavam de rota e a paquera rolava solta.
Lá pelas 22:00, era chegada a hora. De repente, a impressão era a de que tinham soltado os homens nus. Desapareciam as meninas e entravam em cena os plays Boy (zinhos), com os sesu carangos envenenados, para a realização do grande espetáculo fina Le, “O Pega”.
Coisa de louco. Adrenalina pura como se diz hoje. Que emoção, que gostoso participar de tudo aquilo, evidentemente como expectador. Ouvem-se gritos, sirenes e chegam as Rádio Patrulhas. Eram carros da Chevrolet, as "Veraneio", pintadas de preto e branco, tocando suas sirenes ovais em cima do teto enferrujado.
Fuga total. Corre-corre pra lá e pra cá e quando pegavam, tacavam as “Fantas” (cacetete de madeira com 0,80 cm). Carro preso e BO registrado como sempre, na Secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade.
No domingo seguinte, tudo se repetia...
Como se acordasse, me dei conta que havia fugido da reunião e fiquei confuso ao olhar a torre majestosa do Farol e o próprio Forte, hoje Museu Náutico da Marinha, me perguntando em qual época realmente eu estava. Sentia aiknda, o mesmo cheirinho de acarajé da “Nega”, vindo da esquina do prédio emfrente ao Farol.
A HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DO BBA – COMO SURGIU A IDÉIA
Era início de 2005; fevereiro ou março, já não me lembro (Ah! A memória do adolescente reciclado).
Estando eu na Guimarães, Jura, como aquele seu jeito sutil, reservado, chamou-me num canto da loja (seu escritório, eu acho) e me disse: “Joaca, a Suzuki estará lançando, em junho (ou julho, também não me recordo com certeza – ainda a memória do recycle teen ager), uma motoneta de 125 cilindradas, em São Paulo. Estou com vontade de comprar duas e trazê-las rodando, de lá para cá. Você toparia trazer uma, comigo?”.
Topei, de cara (afinal, Jura é meu irmão e a aventura era inusitada; imperdível)!
Chegando perto do lançamento, deu-me ele a triste notícia: a Suzuki dispunha apenas das motonetas do lançamento, em Jundiaí; não havia nenhuma para comprar, a não ser por volta de agosto ou setembro.
Era, então, um sábado e estávamos, como de costume, naquela nossa gostosa reunião, na loja (Guimarães).
Quase que numa só voz, perguntamos um ao outro: “por que, quando a Suzuki estiver vendendo as motonetas, não compramos cada um a sua e vamos ao Salão das Duas Rodas, em outubro?”.
A aceitação foi instantânea, já que a idéia fora simultânea.
Nesse momento, o grande Ivan passava por nós e disse: “eu também vou; me incluam nessa”.
Daí, surgiu o BBA, ao qual terminaram aderindo treze (13) companheiros, que, somados a mim e a Jura, formaram um time de quinze (15) homens, com um só destino: chegar a São Paulo, no Salão das Duas Rodas, de Burgman 125, como fizemos.
Concretizada a idéia, fizemos uma carta à Suzuki, revelando nossa intenção e pedindo seu apoio.
A resposta veio, desencorajando-nos, inteiramente, e João Toledo dizendo a Jura que seu departamento de marketing desaconselhava completamente fizéssemos a aventura, pois poderia “queimar o produto”, que, de uso urbano, não estava desenvolvido para fazer uma viagem daquelas.
Fizemo-la, assim mesmo, e foi um sucesso absoluto (apenas um pneu furado; nada mais)!
Ante o sucesso da aventura, veio-nos logo a idéia de repeti-la a cada dois anos, sempre usando como pretexto o Salão das Duas Rodas.
Em 2007, tudo certo para a viagem (eram apenas oito (08) participantes, com a primeira mulher integrando o grupo, numa motoneta pintada por Jura de cor de rosa), na véspera da saída, fui dormir no Ondina Apart Hotel, para, no dia seguinte, encontrar-me com Jura, na porta da casa dele, e irmos juntos para o ferry boat.
Quando ele chegou à porta, notei-o um tanto calado, diferente de todas as vezes que o encontrei para fazermos qualquer viagem ou passeio juntos (e não foram poucos).
Ele nada me disse e eu nada lhe disse.
Chegando ao ferry, ele, então, tirando o capacete, desabafou: “porra, bicho, só vim por sua causa. Vim porque havia assumido o compromisso com você e não ia faltar, mas estou com uma intuição horrível; antes de sair de casa, chorei muito, dizendo a Let não querer ir, mas ter de ir”.
Disse-lhe, então: “fica tranqüilo, cara; nada vai acontecer. A viagem vai ser como todas as outras: em paz, com cuidado e chegaremos como planejado, sem acontecer nada”.
Graças a Deus, assim foi.
Ainda viajando, passado aquele primeiro trauma, comentei com Jura: “a próxima, faremos pelas Cidades Históricas de Minas Gerais”, ao que ele retrucou: “não haverá próxima, porra nenhuma; já quase não venho nesta; não me arranje confusão, não, Joaca”.
Fiquei quieto, pois, conhecendo Jura, como penso conhecer, saberia que, logo, logo, ele estaria me conversando sobre a viagem de 2009.
Não deu outra. Eu já estava, calado, quietinho, com os roteiros (para ser escolhido um deles, pelo grupo) prontos; já havia adquirido o guia atualizado e, numa das nossas quintas-feiras, na Guimarães, ele, novamente, chamou-me num canto e me disse: “porra, bicho, temos que começar a planejar a viagem do BBA, pois o pessoal está todo me cobrando”.
Retruquei, então: “já tenho as sugestões de roteiros prontas. Vamos começar a fazer as reuniões, com quem diz querer ir”.
Assim, começamos a aventura deste ano, que já tem dezoito (18) efetivamente inscritos e assumiu uma proporção inesperada por nós, que começamos isto apenas querendo nos divertir; fazer uma viagem de passeio, realmente, e não daquelas que fazemos com as motos grandes, quando andamos, sempre, a mais de 150 km/hora; só adrenalina!
A adrenalina desta é diferente e, desta feita, será curtida durante sete (07) dias, e não cinco (05), como das outras vezes, pois iremos pelas Cidades Históricas de Minas Gerais, pousando, inclusive, em Domingos Martins, Belo Horizonte, São João Del Rei, Caxambu e Campos do Jordão, por exemplo, antes de alcançarmos nosso objetivo (pretexto): o Salão das Duas Rodas, onde, a Deus querer, chegaremos no dia nove (09) de outubro, tendo saído de Salvador no dia três (03) anterior.
Caso deseje se comunicar conosco e não queira usar a área indicada para postar seus comentários, poderá se valer do nosso endereço de e-mail:
bahiaburgman@bahiaburgman.com.br
momo@bahiaburgman.com.br
Ficaremos atentos para dar um retorno ao seu contato.
Para ter acesso ao outras fotos e filmes desta edição do BBA 2009 e das edições anteriores (2007 e 2005), basta dar um click no Link correspondente que se encontra na barra lateral a sua direta. A cada momento, estaremos atualizando esse acervo.
O alto escalão do BBA, acompanhado das suas digníssimas esposas, em jantar de confraternização no Restaurante BOTINO. Noite muito agradável. Bebida e comida excelentes.